domingo, 21 de outubro de 2012

Projeto: Poesia em Cena

Olá pessoal, segue abaixo o projeto de leitura que trabalhei com o 8º ano. Segui as mesmas estratégias que utlilizei no 9º, atrelando o uso das mídias  e culminamos com um lindo Sarau e publicação de livro.
Breve postarei alguns vídeos das apresentações.


INTRODUÇÃO

Paulo Freire num momento de grande inspiração preconizou que [...] a leitura do mundo precede a leitura das palavras, (Freire:1996). Como são verazes essas assertivas. Tendemos a nos encantar com aquilo que já conhecemos, que faz parte do nosso contexto.

Pensando nisso, surgiu a ideia de explorar o gênero crônicas, por ser uma modalidade que pode-se tratar de quase todos os assuntos. Almeja-se também, estimular o gosto pela leitura e pela escrita, a partir de leituras instigantes e prazerosas que esse gênero proporciona.

Para Mario Prata “ a crônica tem uma vantagem sobre tudo e todos: tudo dá crônica. Tudo. E sua característica: quanto mais você escreve sobre o nada, mais você atinge o tudo.” Sob esta ótica pretende-se incentivar a formação de cronistas mirins, que atue no mundo de uma forma ímpar a partir da proposta sugerida.

Por ser um gênero literário leve e curto, a crônica é a porta de entrada ideal para os alunos, cujo habito de leitura mais longa ainda não foi desenvolvido. Trabalhar com esse gênero é uma chance para estimulá-los a ler. Para isso, serão realizadas atividades diversas que corroborem para tal efetivação.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA


            A leitura é um dos meios mais eficazes de desenvolvimento sistemático da linguagem, e diante da paradoxal deficiência de formação específica para as questões relativas à sua complexidade e problemática é que Viana (1999,p.5) escreveu:

Ler e escrever são atos indissociáveis. Só mesmo quem tem o hábito da leitura é capaz de escrever sem muita dificuldade. A leitura (...) permite-nos refletir sobre as idéias e formular nossa própria opinião.

             Sendo assim, consideramos de importante relevância o papel da escrita como prática social e cultural, pois permitem aos homens, a conservação dos conhecimentos produzidos por eles, enquanto que a prática da leitura os conduzirá às reflexões e questionamentos das coisas que fazem parte do mundo, e conseqüentemente de nossas vidas.

            Pode-se questionar se o uso constante das diversas tecnologias visuais e auditivas (sem desmerecer a sua importância) não nos leva a uma acomodação e desinteresse pela leitura/escrita, já que muitos de nós preferem sentar-se confortavelmente e assistir a um tele-jornal, a ler a todo um jornal, procurando analisar com discernimento o que está escrito nas entrelinhas e etc., da realidade que nos são apresentadas.

             Ledir (2001, p.12), foi muito feliz ao preconizar que:


 Como se não bastassem, os costumes sociais também aboliram a escrita. O cidadão moderno passa anos sem escrever (...) até mesmo os cartões postais de felicitações, etc., estão prontos no mercado, bastando assiná-los (...) o próprio espírito do homem moderno conspira contra a prática da escrita. Estamos sempre com pressa (...) a maioria dos nossos alunos passam anos sem ler uma obra de ficção, ou mesmo de história, etc.


            Temos consciência que aprendemos a escrever a partir do que lemos e é nesse contexto que o professor de Língua Portuguesa (não só ele como os demais) precisam despertar nos alunos  esse interesse  pela leitura, seja em forma de textos (não só os didáticos), imagens, sons, poemas e etc., mas de maneira prazerosa e sem cobranças avaliativas posteriores.

A leitura deve ser trabalhada de forma que  leve em consideração as estratégias de leitura e as habilidades lingüísticas.

             Agora, com esse pressuposto de deslocar-se o objetivo da simples aplicação de conteúdos programáticos para uma reflexão sobre esses objetivos e estratégias, poderemos chegar ao poema.

         Para Rubem Braga:

“A crônica não é literatura, e sim subproduto da literatura, e está fora do propósito do jornal. A crônica é subliteratura que o cronista. O cronista é um desajustado usa para desabafar perante os leitores, sem dar a eles oportunidade para que rebatam qualquer afirmativa publicada. A única informação que a crônica transmite é a de que o respectivo autor sofre de neurose profunda e precisa desoprimir-se. Tal informação, de cunho puramente pessoal, não interessa ao público, e portanto deve ser suprimido”.


Rubem Braga utiliza-se de uma linguagem poética para falar do quão prazeroso é a produção desse gênero. Isso porque características atuais do gênero, não estão ligadas somente ao desenvolvimento da imprensa. Também estão intimamente relacionadas às transformações sociais e à valorização da história social, isto é, da história que considera importantes os movimentos de todas as classes sociais e não só os das grandes figuras políticas ou militares. No registro da história social, assim como na escrita das crônicas, um dos objetivos é mostrar a grandiosidade e a singularidade dos acontecimentos miúdos do cotidiano.

            Segundo Rubem Alves,

A escola tem dois objetivos: O primeiro é dar ferramentas para vivermos, como aprender a caçar. (...) a somar, diminuir. São enfim, saberes que precisamos para sobreviver. O segundo diz respeito a aquelas coisas que não servem para nada, mas nos dão prazer. São elas cantar, ler poesia, ouvir música, (...)”.

            Acreditamos que o poeta ao expressar-se assim, corrobora com nossa convicção de que o texto poético não deve vir como pretexto para outras interpretações que não as dele próprio. Ou seja, uma leitura prazerosa que possa propiciar aos educandos um conhecimento novo, intrínseco, capaz de despertar emoções e atitudes favoráveis a um bom relacionamento com a vida e conseqüentemente com as pessoas.

            Enfim, diante das contribuições que o trabalho com crônicas pode desempenhar, far-se-á um trabalho sistemático para que se possa ampliar o vocabulário dos educandos, aprimorar na produção textual, com coesão e coerência e consequentemente, a uma escrita mais elaborada. E a tudo isso, o professor deve estar atento para, só então, conhecedor de grau de dificuldade dos alunos, reverem seus conceitos.

                                              


OBJETIVO GERAL:


v  Aplicar o projeto de leitura no decorrer da unidade com abordagem de conteúdos linguísticos a partir de leitura  e interpretação de crônicas.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS:


v  Conhecer e valorizar as diferentes variedades do português por meio de leituras de diversos textos e discussões;

v  Conhecer o gênero: Crônicas;

v  Pesquisar biografia de diversos cronistas: Rubem Alves, Pedro Bial, Luís Fernando Veríssimo, Fernando Sabino dentre outros.

v  Ler crônicas de diversos tipos: crítica, lírica, humorística;

v  Reconhecer características básicas da crônica, gênero que pode tratar de praticamente qualquer tema, desde que relacionado ao cotidiano do cronista e do leitor;

v  Relacionar crônicas à charges, gênero que também é publicado em jornais e revistas;

v  Escrever crônicas a partir de um tema selecionado pelo próprio aluno;

v  Estudar as orações subordinadas substantivas a partir de leituras de crônicas.

v  Identificar orações subordinadas substantivas.


CONTEÚDOS:

v  Gênero textual: Crônicas;

v  Biografias dos cronistas: Rubem Alves, Pedro Bial, Luís Fernando Veríssimo, Fernando Sabino dentre outros.

v  Variantes linguísticas orais;

v  A crônica e seu estilo.

v  A crônica política;

v  A crônica nos blogs;

v  Vocabulário

v  Ortografia

v  Período Simples e Composto por coordenação e subordinação

v  Orações Subordinadas Substantivas;

 

ESTRATÉGIAS:


v  Aulas expositivas;

v  Leitura e análise de crônicas de autores reconhecidos;

v  Abordagem dos conteúdos com base nas leituras e produções textuais;

v  Propostas de pesquisas de crônicas em livros, revistas, internet;

v  Utilização de filmes e músicas para explorar os conteúdos de forma contextualiza.

v  Confecção de painéis partindo de atividades e temas dirigidos;

v  Produções de crônicas;

v  Atividades de leitura silenciosa e em voz alta de diferentes tipos de textos;

v  Apresentações e dramatizações na culminância do projeto.


CRITÉRIOS E INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO:

              A avaliação é uma ação de extrema relevância posto que nos dá subsídios para analisarmos se a proposta almejada foi alcançada ou não. Diante disso, vê-se a necessidade dessa prática ser realizada em todo o decorrer do projeto, para que,caso haja necessidade de reformulação de atividades ou discussões, isso ocorra sem prejudicar o processo ensino-aprendizagem. Por isso, em toda a aplicação desse projeto serão analisados os seguintes aspectos:

*       Participação contínua dos educandos;

*       Desenvolvimento do senso crítico;

*       As pesquisas realizadas;

*       Produções individuais e em grupos.


CULMINÂNCIA:

Para encerramento desse projeto será realizado o “ Sarau do Médici” no qual os alunos farão apresentações:


*       Apresentação de vida e obra de cronistas renomados.

*       Recital de crônicas de sua autoria e de cronistas renomados.

*       Exibição do livro de poesia confeccionado no decorrer do projeto.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros Curriculares Nacionais: Língua Portuguesa. Brasília: MEC/SEF, 1997.

CEREJA, William Roberto. Português: linguagens, 8º ano / William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 5ª ed. Reform. – São Paulo: Atual, 2009.

OLIVEIRA, Gabriela Rodella, Flávio Nigro Rodrigues, João Campos Rocha Português: A arte da palavra, 9º ano,São Paulo:Editora AJS Ltda, 2009.





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